frank miller

Posted Julho 15, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Cinema

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Preferia quando o Frank Miller não gostava de cinema. Evitaria uma bobagem dessas.

carlin

Posted Julho 9, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: sem naipe

Detesto quando alguém morre e vira moda. Por exemplo, o Oscar Peterson. Foi só o cara morrer que toda rádio de merda passou a tocar Oscar Peterson, como se ele sempre tivesse feito parte da programação diária. De repente todo mundo é fã de Oscar Peterson - aliás, sempre foi, desde criancinha.

Mesma coisa com o Hunter Thompson. Estourou a própria cabeça e o resto do mundo virou jornalista-gonzo de nascença, e ninguém é cool ou contracultura se não tiver um Medo e Delírio recém-comprado na estante fingindo que já está ali há muito tempo.

A questão não é, obviamente, gostar ou não de Oscar Peterson ou Hunter Thompson. A questão é o surgimento instantâneo de legiões de novos entendidos, verdadeiros fundadores de fã-clube, quase biógrafos dos Oscar Petersons e Hunter Thompsons, que surgem depois que eles morrem. Isso, sim, me irrita profundamente. É quase um desrespeito, como se esses caras só merecessem nossa atenção depois que morrem e saem nas notas da Ilustrada.

Tudo isso, claro, pra dizer que acabo de virar fã de um cara que morreu.

Morreu dia 22 de junho deste ano. E, antes de ontem, nunca tinha ouvido falar nele. O que me enche de vergonha e tristeza.

Vergonha porque agora sou um deles, os entusiastas post mortem. Tristeza porque passei 22 anos da minha existência sem conhecer George Carlin.

Não costumo postar vídeos aqui. Mas essa é uma tentativa de me redimir ante a sociedade. Enjoy.

(Acabo de descobrir que Carlin é o visitante do futuro em Bill & Ted. Bem, eu o conhecia, afinal de contas. Mas isso, provavelmente, só aumenta minha vergonha.)

indiana jones

Posted Julho 1, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Cinema

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Finalmente assisti. Acho que o mundo não precisa de mais uma crítica desse filme, dado que há tantas. Apenas um breve comentário:

Em agosto do ano passado, a LucasFilm registrou seis títulos para o filme. A idéia, claro, era manter segredo sobre qual deles era o verdadeiro.

- Indiana Jones and the City of Gods;
- Indiana Jones and the Destroyer of Worlds;
- Indiana Jones and the Fourth Corner of the Earth;
- Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull;
- Indiana Jones and the Lost City of Gold;
- Indiana Jones and the Quest for the Covenant.

Agora, eu que estou implicando ou eles escolheram justamente o pior título da lista?

Mas essa, claro, é apenas uma das muitas escolhas erradas feitas pelo filme.

Com certeza, a mais inofensiva.

brócolis

Posted Junho 30, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Ficção

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- Não quero!
- Por que não?
- Porque eu não gosto!
- Como, não gosta? Já comeu alguma vez pra saber?
- …Não.
- Então. Tem que experimentar. Senão não dá pra saber se é bom ou se é ruim.

***

Depois o moleque começa a usar droga e a culpa é da sociedade, dos amigos…

wall-e

Posted Junho 28, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Cinema

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vá assistir, por favor.

agora.

depois a gente conversa.

come tuas bananas mais rápido

Posted Junho 26, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: sem naipe

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Uma coisa que eu não consigo compreender são aqueles banners publicitários que dão toques de celular. Quem foi o cretino que um dia teve a grande idéia, “já sei. Toques de celular. Não há nada mais atrativo para atrair incautos que toques de celular”?

Com que público esses caras estão lidando? Com viciados em melodias polifônicas de dez segundos? Quem fica tão excitado com a possibilidade incrível de baixar toques de celular? “Uau! Só preciso comer mais bananas que o outro macaco para ganhar um toque de celular! Que mamata!”

Claro que de propaganda idiota a internet está cheia. Assim como está cheia de linques direcionados a sites obscuros nos quais até o computador do Pentágono ficaria meio apreensivo. Mas o que me irrita profundamente nos banners de toques de celular é que, ao contrário de qualquer outra propaganda razoavelmente coerente, eles não tentam te convencer de que você precisa de um toque de celular. Eles partem do pressuposto de que você já quer, desesperadamente, ganhar um toque de celular.

Por isso, se não comeu mais bananas, não é porque estava pouco se lixando para o maldito toque. Não. Você com certeza tentou, mas foi incapaz de vencer o outro macaco. É, portanto, um fracassado. O macaco deprimido que o banner nos mostra, completamente arrasado por não ter sido o mais rápido, é você. “Você perdeu! Tente de novo!”

Não, seu cretino, eu não perdi. E não vou tentar “de novo” porque eu nunca tentei uma primeira vez. Não quero comer mais bananas, não quero acertar mais mais bolas na cesta ou fazer mais flexões. Sabe por quê?

Porque eu não dou a mínima para o seu maldito toque de celular.

mosquitinhos triangulares de banheiro

Posted Junho 20, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: sem naipe

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Você sabe do que eu estou falando. Dos mosquitinhos, triangulares, que vivem no banheiro. Meio paradões, ali, na parede. Parecem pacíficos, quase decorativos. Mas não se engane. Os mosquitinhos triangulares de banheiro não são seus amigos.

Um dia, há muito tempo, matei um. Fui chegando perto com a mão, o mosquitinho não se mexeu, e eu o esmaguei. Quando narrei o fato para alguns amigos, foi a revolta; “como ousa?”, perguntaram. “Você não pode matar os mosquitinhos triangulares de banheiro!” Fiquei mal. O que havia feito, pelos céus? Por que tanta crueldade com um bichinho tão simpático?

Mas a crise de consciência desapareceu no dia em que abri um ralo entupido. E então, o horror: ali, naquela água meio cinza, mal-cheirosa e suja, descobri uma pequena multidão de mosquitinhos triangulares de banheiro. Paradinhos, curtindo um esgoto. Era dali, afinal, que eles vinham.

Lembrei das vezes em que os vi pousados na minha toalha, infectando-a com suas pequenas patinhas de mosquitinhos sem que eu de nada suspeitasse. Lembrei de como, ingenuamente, acreditava na inocência pura daqueles simpáticos triângulos voadores. Senti-me enganado, traído, apunhalado. Porque aqueles mosquitinhos tão bobinhos, tão singelos, revelaram-se pequenas baratas insidiosas, agentes inimigos sacudindo falsas bandeiras brancas.

Por isso, declarei guerra aos mosquitinhos triangulares de banheiro. Minhas paredes estão repletas de pontos pretos, seus restos mortais. Olho em volta a todo momento, procurando um novo alvo. Mas, assim como as baratas, eles podem ser fáceis de matar individualmente - a população como um todo é outra história. Não importa quantos eu mate, quanto inseticida jogue no ralo; eles sempre voltam a aparecer. De algum jeito, eles sobrevivem.

Estou convencido de que os mosquitinhos triangulares de banheiro querem dominar o mundo.

Talvez já tenham conseguido.

frases soltas

Posted Junho 7, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: palavras

ontem sonhei que tinha todas as respostas.
quando acordei, descobri que estavam de fato corretas.
decepcionante.

***

para um fóton, o tempo não passa.
um único instante abarca toda sua existência.
por algum motivo, isso me inquieta profundamente.

***

você tem exatos 72 defeitos.
dois a mais do que consigo suportar.

***

ele concordou com a cabeça.
a cabeça tinha razão.

***

há muitas coisas que podemos ignorar.
quase todas, aliás.
(talvez todas, mas não quero parecer leviano.)

***

detesto quem relativiza em excesso.
a teoria da relatividade baseia-se numa constante.
para o inferno com o “tudo é relativo”.

breve resumo

Posted Maio 5, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Trabalho, blogue, sem naipe

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Pois é, demorei de novo para escrever, o que já está se tornando perigosamente corriqueiro. Mas tenho duas desculpas quase convincentes, que passo a relatar:

1. como disse anteriormente, estava de emprego novo. Estava. Agora, estou de emprego novíssimo. Saí da Moovie e fui pra Mixer. Na Moovie, trabalhava com edição; na Mixer, trabalho com roteiro. (Só pra constar, foi pra trabalhar com roteiro que eu prestei Audiovisual, pra começo de conversa.) A história completa é bem longa e complicada, e não convém relatar aqui. Mas, como dá pra imaginar, todo o processo de decisão/desligamento-após-um-mês/contratação/começar-tudo-de-novo foi meio turbulento.

(Nota: o único projeto grande que tive tempo de fazer na Moovie foi montar o trailer do filme novo do Zé do Caixão. É isso aí: se forem brindados com o trailer do Encarnação do Demônio na próxima sessão de cinema, saibam que foi trabalho meu. E só venham fazer comentários os que gostarem, por favor. As críticas, anotem no caderninho e guardem na gaveta.)

2. fiquei doente que nem o cão. Certo, foi só uma gripe, nada muito trágico. Mas passei o feriado inteiro tossindo a alma fora, o que prejudicou levemente minhas capacidades produtivas. Agora estou mais ou menos melhor.

Pois bem. Como as desculpas acima resumem os lances mais emocionantes dos meus últimos dias - pelo menos os lances emocionantes publicáveis -, vamos a uma pequena lista aleatória de coisas que tornam o mundo melhor:

1. Regina Spektor. Ouçam os álbuns, todos eles.

2. xkcd. Quadrinhos para nerds.

3. e acho que é só. Todo o resto é deprimente.

A próxima entrada prometo que será sobre algo interessante, não sobre a minha vida.

a noite americana

Posted Abril 11, 2008 by Cássio Koshikumo
Categories: Cinema, Crítica, ensaio

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Quem não gosta d’A Noite Americana, do Truffaut - porque é um filme convencional, pobre, rendido ao cinema americano - não gosta de cinema.

Sem brincadeira. Tenho amigos cineastas/cinéfilos/o-diabo-a-quatro que compartilham desse discurso e, caso eles estejam lendo isso aqui, vai ficar chato na mesa do bar. Mas dane-se.

Quem não gosta de A Noite Americana não gosta de cinema. Quem não gosta de A Noite Americana no máximo interessa-se por cinema. Considera o cinema um meio de comunicação único, com qualidades intrínsecas marcantes, uma forma de arte valorosa, complexa e digna. Mas não gosta dele. Trata-o como objeto de estudo, como coisa à parte. Trata-o friamente.

É claro que nós, estudantes de cinema, devemos dominar a técnica. É claro que necessitamos de um distanciamento crítico diferenciado. Mas nada disso deve, jamais, substituir o deslumbramento.

“O mais admirável em Noite Americana é a sua contenção, a sua extrema economia de propósitos. Outro diretor [da nouvelle vague] teria aproveitado a oportunidade - um filme sobre a feitura de um filme - para armar um jogo intelectual qualquer, um truque de espelhos, a fantasia e a realidade, a arte e a vida, e olhem só como eu sou engenhoso. Truffaut, não. Faz um filme convencional sobre Truffaut fazendo um filme convencional. Mas Truffaut faz grandes filmes convencionais.

“(…) Truffaut, como todos da sua geração, começou no cinema pelo deslumbramento. A diferença entre ele e o resto é que ele continua deslumbrado. Durante as quase duas horas da Noite Americana, o cinema reina e nos emociona. Profundamente. E Truffaut está tão comovido quanto a gente.”

Os dois parágrafos acima estão no Banquete com os deuses, do Luis Fernando Verissimo. Já o parágrafo abaixo está no Three uses of the knife, do David Mamet (tradução caseira):

“A finalidade da arte é nos deleitar: certos homens e mulheres (não mais espertos que eu e você), cuja arte consegue nos deleitar, foram dispensados de sair e buscar água e carregar madeira. Não é muito mais elaborado que isso.”

Deleite e deslumbramento, duas coisas que jorram d’A Noite Americana. E se sua análise estético-histórica da articulação imagética ou coisa que o valha o deixou incapaz de percebê-las, o problema é seu. Não do Truffaut.